Como fazer um texto dissertativo-argumentativo?

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A professora de Redação e Português do AlfaCon Giancarla Bombonato detalha as características de um texto dissertativo-argumentativo e dá dicas sobre como estruturá-lo

A dissertação é um estilo de redação muito solicitado nos vestibulares. Já nos concursos públicos, é requerida uma análise crítica a respeito de algum tema proposto. Por isso, mais comumente é solicitado o desenvolvimento de um texto dissertativo-argumentativo. Esse tipo textual, em resumo, consiste na defesa de uma ideia por meio de argumentos, opinião e explicações fundamentadas.

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Existem dois tipos de dissertação:

  • Dissertação expositiva – voltada aos fatos que estão sendo noticiados e discutidos na mídia — televisão, rádio, internet, revistas —, que são acontecimentos inquestionáveis. Por isso, um texto dissertativo sobre um assunto popular será apenas uma exposição, e não propriamente um debate.
  • Dissertação argumentativa – uma reflexão que fazemos sobre um tema. O autor interage com os fatos abordados a fim de esclarecê-los e também de convencer o leitor sobre sua opinião expressa, com linguagem objetiva e visão crítica baseado em evidências concretas e reais sobre o tema em questão.

“Um texto dissertativo é aquele onde se deve falar sobre um tema solicitado. Quando é pedido que seja dissertativo-argumentativo, além de falar sobre esse tema, trazer informações sobre algo, é preciso que o autor mostre posicionamento e ponto de vista acerca do assunto proposto”, explicou a professora de Redação e Português do AlfaCon, Giancarla Bombonato.

No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), por exemplo, esse também é o tipo de texto solicitado aos alunos, cujo tema aborda questões atuais de ordem social, científica, cultural ou política. Nos concursos públicos, costuma ser pedido geralmente nas provas de polícia militar, algumas provas de polícia civil — depende muito da banca — e para concursos da área de tribunais (Vunesp, FCC e FGV).

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Como é a estrutura do texto dissertativo-argumentativo?

Até aqui já ficou entendido que um texto dissertativo-argumentativo deve trazer, obrigatoriamente, uma abordagem reflexiva sobre um ponto de vista do tema proposto, além de uma justificativa para esse ponto de vista. Mas, mesmo que esse tipo de texto seja comumente cobrado em concursos públicos e para o Enem, não significa, segundo a professora Giancarla, que as orientações para redigi-los seja a mesma.

Entra aí uma diferença fundamental: a correção das bancas. Por ser uma seleção de nível médio que objetiva avaliar se o aluno atingiu as cinco competências orientadas pelo Enem, o texto para esse exame vai valorizar muito o conhecimento de mundo — referências a alusões, citações, filósofos, história, arte, geografia. Nos concursos públicos, os critérios de correção são mais específicos, e o candidato precisa atingir os critérios mínimos que a banca determinar.

“Geralmente, no concurso público, o peso da avaliação do texto é na forma de abordagem sobre o assunto e os critérios de correção são bem diferentes. E cada banca tem a sua forma de correção; alguma valorizam mais a gramática, outras valorizam mais o conteúdo. Assim como o peso que vai dar a essa correção”, explicou Giancarla.

A professora ensina a estruturar bem um texto dissertativo-argumentativo em apenas três passos:

1. Introdução
Na introdução deve ser mencionado o tema central proposto. Geralmente, compreende cerca de 25% do texto — basicamente, o primeiro parágrafo. Aqui, situa-se o leitor e deixar explícita a tese; ou seja, o ponto de vista ou posicionamento do autor.

2. Desenvolvimento
Todas as ideias mencionadas na introdução devem ser desenvolvidas de forma opinativa e argumentativa. A dimensão deve compreender cerca de 50% do texto.

3. Conclusão
A conclusão deve ser uma síntese do problema abordado, com considerações que expressam o resultado do que foi apresentado ao longo do texto. Dependendo do tema, pode ser apenas uma paráfrase (uma nova afirmação do sentido de um texto) ou pode ser proposta de solução. A sua dimensão contempla cerca de 25% do texto – geralmente, o último parágrafo.

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Como fazer um texto dentro dessas exigências?

A principal característica desse tipo de texto é a defesa de uma tese (posicionamento) sobre o tema, e argumentos que justifiquem essa tese. Uma dica de ouro da professora Giancarla é que, na elaboração, o texto dissertativo-argumentativo deve estar sempre em terceira pessoa. Portanto, nada de usar as chamadas muletas de linguagem, como “na minha opinião”, “eu acho” ou “eu penso isso”. A ênfase deve ser dada ao assunto e aos argumentos.

“A intenção não é a de convencer o leitor a pensar como o autor. A intenção é convencer o leitor de que a sua opinião é válida e é coerente. O texto precisa provar para o leitor, no caso, quem estará fazendo a correção da provas, que a opinião do autor tem lógica e que os argumentos justificam esse posicionamento”, orientou a professora de Redação e Língua Portuguesa do AlfaCon.

  • Entender o comando da proposta: entender muito bem o assunto e compreender a proposta
  • Delimitar uma tese: deve ser elaborada uma frase, de duas ou três linhas, que reflita o ponto de vista do autor
  • Escolher bem os argumentos: dois ou três serão suficientes; cada um deve aparecer em um parágrafo diferente
  • Pensar o desfecho: antes de começar a escrever o texto, é preciso pensar se será oferecida uma solução. Caso haja, é preciso ter em mente o que fazer, como fazer, quem fará, quando será feito e por quê.

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