Covid-19 pode ser tema em provas de concursos na área da saúde; confira

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Matéria originalmente escrita pela professora de Direito Sanitário e Saúde Pública Sanitarista do AlfaCon, Patrícia Wadt.

O assunto que mais ouvimos é: Covid-19, e pode esperar, nos próximos concursos esse
tema vai DESPENCAR! Mas vamos falar sobre isso de uma forma diferente, dentro da epidemiologia.

A epidemiologia é uma ciência que tem como objetivo estudar os fatores que intervêm na
propagação e difusão das doenças, incluindo a frequência, modo de transmissão e evolução, para determinar as medidas de prevenção.

O estudo usado pela epidemiologia para entender todo o processo de adoecimento
acontece por meio dos estudos epidemiológicos que são: estudos observacionais e estudos experimentais.

Os estudos observacionais são utilizados para observar o curso da doença, não há
interferência do homem. Já os estudos experimentais, o homem interfere para interromper o curso natural da doença ou até mesmo prevenir a contaminação.

Mas porque estamos falando sobre estudos epidemiológicos? E qual é a relação disso com
a Covid-19?

VACINA CONTRA A COVID-19

Estamos vivendo a época em que o mundo inteiro espera ansiosamente por uma
proteção contra o coronavírus. Mas a vacina não aparece de uma hora para outra, existe uma série de etapas que precisam ser cumpridas até, finalmente, a população ter acesso a imunização dessa doença. É sobre isso que falaremos hoje, vamos entender um pouco as etapas do estudo da vacina contra a Covid-19.

O tipo de estudo usado para testar um medicamento novo ou uma vacina é o Ensaio
Clínico. Nesse tipo de estudo há interferência no curso natural da doença, que tem por objetivo diminuir os efeitos colaterais que podem ser prejudiciais à saúde.

O ensaio clínico possui 4 fases, relacionadas ao teste do medicamento ou vacina em seres
humanos. Antes da aplicação, a vacina passa por um teste pré-clínico onde os aspectos de segurança são avaliados em animais de experimentação antes da aplicação dessa droga em humanos. Aprovado o teste pré-clínico, o medicamento/vacina pode passar para a próxima fase, que são os testes.

FASES DO ENSAIO CLÍNICO

Fase I: refere-se ao uso do medicamento pela primeira vez em um ser humano,
geralmente um indivíduo saudável e que não tem a doença para a qual o medicamento está sendo estudado.

Fase II: cerca de 100 a 300 indivíduos que têm a doença ou condição para a qual o
procedimento está sendo estudado participam desta fase, que tem como objetivo obter mais dados de segurança e começar a avaliar a eficácia do novo medicamento ou procedimento.

Fase III: os teste devem fornecer todas as informações necessárias para a
elaboração do rótulo e da bula do medicamento. A análise dos dados obtidos na fase III pode levar ao registro e aprovação para uso comercial do novo medicamento ou procedimento, pelas autoridades sanitárias.

Fase IV: após a vacina ou medicamento ser aprovado e levado ao mercado, testes de
acompanhamento de seu uso são elaborados e implementados em milhares de pessoas,
proporcionando o conhecimento de mais detalhes sobre a segurança e a eficácia do produto.

Um dos objetivos desses estudos é detectar e definir efeitos colaterais previamente desconhecidos ou incompletamente qualificados, assim como os fatores de risco relacionados. Esta fase é conhecida como farmacovigilância.

Fases do Ensaio Clínico – Teste de um novo medicamento ou vacina
Fonte: https://www.inca.gov.br/pesquisa/ensaios-clinicos/fases-desenvolvimento-um-novo-medicamento

EM QUE FASE ESTAMOS?

O estudo da vacina contra a Covid-19 está na fase III, porém, o estudo foi interrompido. O motivo: um dos participantes da pesquisa ficou doente.

“Interrompemos temporariamente a administração de novas doses em
todos os nossos ensaios clínicos da vacina Covid-19, incluindo o ensaio
ENSEMBLE de fase 3, devido a uma doença inexplicada em um
participante do estudo” (A americana Johnson & Johnson – 2020)

Os testes só poderão retornar após verificação dos fatores que causou o problema. A
importância desses testes é garantir a segurança e a eficácia contra a Covid-19. É óbvio que todo medicamento ou vacina possui efeitos colaterais, mas o ensaio clínico serve para garantir que esse efeito seja o mais “leve” possível, que não coloque a vida do paciente em risco.

Essa pausa é um procedimento padrão dentro do ensaio clínico. Como um participante
ficou doente, é importante estudar essa doença que surgiu após a administração da vacina.
Quando estiver tudo “resolvido”, os testes continuarão.

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COVID-19: NOTÍCIAS

O mundo está ansioso para que a vacina contra a Covid-19 esteja nos postos de saúde,
mas esquecemos que o processo é longo e demorado. Não adianta fazer uma vacina de qualquer jeito, disponibilizar para a população e gerar um problema muito maior na saúde.

Como as pessoas estão “desesperadas” pela vacina, acabam sendo enganadas. No Rio de Janeiro, por exemplo, criminosos estão vendendo uma vacina falsa e o caso foi denunciado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A comercialização das doses é feita por uma empresa clandestina do município carioca.

Em nota, a Anvisa reforçou que “não há, no momento, nenhuma vacina contra Covid-19 autorizada para ser comercializada e utilizada pela população brasileira”.

A agência pediu que os brasileiros não comprem nem utilizem o medicamento. As únicas vacinas em circulação e autorizadas a serem aplicadas no país são para uso de estudos clínicos. “Não há permissão para comercialização e distribuição dessas vacinas”, informa a agência.

Fonte: https://www.metropoles.com/brasil/covid-19-anvisa-recebe-denuncia-devenda-de-vacinas-falsas-de-oxford

Fique ligado: fake news também pode ser um assunto cobrado na sua prova.

Matéria originalmente escrita pela professora de Direito Sanitário e Saúde Pública Sanitarista do AlfaCon, Patrícia Wadt.

 

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