Concurso Polícia Civil: como funciona e quem pode participar

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O concurso da Polícia Civil — também chamada Polícia Judiciária — é almejado por concurseiros de todo o país pelo fato de ter uma estrutura ampla. Esse concurso dispõe de um grande número de vagas com espaço para profissionais de todas as áreas e perfis, além de oferecer bons salários, diversos benefícios e uma carreira estável.

No entanto, são várias etapas que precisam ser vencidas para que o interessado tenha boa pontuação, seja aprovado, chamado para ocupar o cargo e aproveite de suas vantagens.

Por isso, preparei este conteúdo especial que explica melhor como funcionam concurso da Polícia Civil, qual é sua frequência, que vagas costumam ser abertas, entre outras informações relevantes. Acompanhe!

Como funciona o concurso da Polícia Civil?

O concurso abrange várias etapas que vão desde provas que testam o conhecimento dos candidatos até investigação de sua conduta perante a sociedade. O primeiro passo a ser tomado é ler o edital de abertura com atenção, já que esse documento traz todas as informações necessárias, como as vagas oferecidas, quem pode se inscrever, data das provas, disciplinas a serem estudadas, como serão feitos os testes físicos e mais.

Conforme as datas de cada edital, serão realizadas diferentes provas e exames que podem ser eliminatórias ou classificatórias. As primeiras são aquelas que podem eliminá-lo completamente caso não atinja os pontos mínimos exigidos. Já as classificatórias apenas te posicionam na pontuação do concurso, o que faz com que os mais bem colocados preencham as vagas.

Com isso mente, veja quais são as etapas a seguir.

Primeira etapa

Essa fase avalia se o candidato tem a capacidade mental e física para ocupar o cargo desejado, sendo necessário realizar vários testes, provas e exames para isso. Além disso, a responsabilidade da realização de muitas fases são de responsabilidade de uma bancada de avaliações, seleções e certificações.

Prova objetiva e discursiva

Com a finalidade de testar seus conhecimentos, é aplicada uma prova objetiva que pode abranger conhecimentos gerais, específicos ou complementadores. Geralmente as questões de temas complementadores ou específicos são mais numerosas e têm um peso maior na somatória nota final.

Por exemplo, uma prova de conhecimentos gerais pode ter 20 questões com valor de 20 pontos, enquanto os específicos podem trazer 60 questões, valendo 120 pontos.

Depois é aplicada uma prova discursiva, em que o candidato deve redigir uma dissertação do tema proposto ou elaborar uma peça prática (um documento usado no dia a dia do profissional). Há um número mínimo de linhas que deve ser preenchida e uma pontuação máxima a ser atingida. Para você ter uma base de como essa redação deve ser feita, tenho um conteúdo para concurso PRF em que você pode conferir um exemplo de redação nota máxima.

Tanto a prova objetiva como discursiva têm caráter eliminatório e classificatório, o que significa que é preciso atingir uma pontuação mínima, conforme edital, bem como tentar atingir a maior pontuação possível.

Prova de capacidade física

Os aprovados na prova discursiva serão convocados para a de capacidade física, com caráter eliminatório e objetiva verificar a sua capacidade para executar as tarefas típicas do cargo.

Entretanto, antes são feitos exames laboratoriais e médicos para analisar a boa saúde física do candidato. Tais exames devem ser feitos às custas do candidato e devem ser feitos em até 30 dias antes da entrega. Também é possível que a junta médica solicite a realização de exames complementares.

Caso o candidato seja considerado apto, ele pode se submeter às provas físicas ou Teste de Aptidão Física (TAF). Elas são diferentes conforme o gênero do candidato e podem variar conforme o edital, mas geralmente envolvem:

  • barra fixa;
  • flexão abdominal;
  • flexão de braços;
  • corrida de velocidade;
  • corrida de resistência.

Avaliação psicológica

Depois os candidatos aprovados são convocados para avaliação psicológica ou Teste de Aptidão Psicológica (TAP), feito com procedimentos validados cientificamente. Na prática, ela verifica habilidades cognitivas, tipos de raciocínios etc.

Se uma pessoa tiver traços de personalidade incompatíveis com o desempenho da função, ele será considerado inapto. Mas é importante que sejam apresentados critérios objetivos, claros e com a devida fundamentação científica.

Avaliação de títulos

A definição de títulos é ampla e abrange vários documentos, mas saiba que há uma pontuação máxima de pontos a ser atingida. Veja alguns exemplos de títulos que podem ser aceitos nos concursos de polícia civil:

  • diploma, certificado ou declaração de conclusão de doutorado e mestrado;
  • certificado de conclusão de pós-graduação lato sensu, com carga horária mínima de 360 horas e reconhecido pelo Ministério da Educação;
  • tempo de exercício em cargo público de natureza policial, como policial federal, rodoviário federal, civil, militar, bombeiro militar, entre outros.

Investigação social

Por fim, é feita uma investigação social para preencher as Fichas de Informações Confidenciais (FIC) dos candidatos. Nessa fase, é necessário apresentar documentos como certidão de antecedentes criminais dos últimos anos da Justiça Federal e Estadual (ou do Distrito Federal), Militar e Eleitoral.

Pode ser difícil saber o que, exatamente, reprova na investigação social, mas podemos citar alguns exemplos:

  • prática recorrente de infrações de trânsito que colocam em risco a vida de outras pessoas;
  • demissão por justa causa conforme legislação trabalhista;
  • reincidência em faltas disciplinares e transgressões;
  • práticas de crimes ou infrações penais;
  • práticas habituais de jogos proibidos;
  • falseamento de declarações;
  • uso de drogas ilícitas; entre outros.

Segunda etapa

A segunda etapa consiste no Curso de Formação Policial, regulado pelo Plano de Curso e nomas da academia do ensino de polícia do Estado do concurso. O edital de abertura trará o prazo de duração mínima para cada tipo de cargo, horas presenciais ou à distância e o local da academia. É nesse curso que o candidato aprende como deve se comportar, quais são suas funções e como exercê-las na sua rotina de trabalho.

Normalmente é exigida frequência obrigatória, tempo integral e dedicação exclusiva do aluno, já que há atividades e aulas desenvolvidas de manhã, tarde e noite, incluindo sábados, domingos e feriados. Como também, é comum que a academia não disponibilize alojamento para os candidatos, por isso é importante se preparar para esse curso.

Qual é a frequência que os concursos da Polícia Civil acontecem?

De forma geral, os concursos públicos têm prazo de validade de dois anos, mas podem ser prorrogáveis pelo mesmo tempo, totalizando quatro anos. Por exemplo, caso um concurso tenha sido realizado em 2018, sua validade termina em 2020 e pode ser prorrogado até 2022, quando ocorrerá um novo.

No entanto, concursos da Polícia Civil acontecem periodicamente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Portanto, são amplas as oportunidades que você tem para iniciar ou avançar sua carreira na área.

Esse concurso também é vantajoso para quem já exerce uma função em outro tipo de polícia. Se você já tem uma carreira policial, veja quais concursos fazer depois da PF e PRF.

Quais vagas costumam ser abertas na Polícia Civil?

As vagas são abertas de acordo com a necessidade de pessoal de cada Estado, mas existem certas que aparecem com maior frequência nos editais. Veja algumas delas;

  • Escrivão: realiza todo o trabalho burocrático na delegacia. Esse profissional acompanha todo o inquérito policial, o que inclui coleta dos relatos, anotação de livros oficiais, realização de indiciamentos, análise de inquéritos, prisões em flagrante, recolhimento de fianças etc.;
  • Analista de apoio: tem responsabilidades técnico-administrativas ligadas ao pessoal, como conferir, arquivar e expedir documentos, controlar tramitação de expedientes, operar sistemas de informática etc.;
  • Investigador: faz operações e inspeções policiais ao investigar a autoria de crimes e infrações. Na prática, ele levanta dados sobre as vítimas, identifica testemunhas, encontra provas ou indícios e mais;
  • Delegado: coordena, planejar e supervisiona operações e investigações policiais, exerce funções administrativas, preside inquéritos, investiga autoria de crimes, toma depoimentos, elabora relatórios, entre outros;
  • Perito papiloscopista: esse é um técnico encarregado de encontrar as impressões digitais deixadas por suspeitos ou criminosos;
  • Agente: entregam intimações, efetuam buscas e prisões, atendem ocorrências policiais, entre outras atividades.
  • Médico legista: determina causa de morte e efetua exames em vítimas de variados crimes;
  • Perito criminal: analisa o local de crime para produzir provas técnicas. Ele pode coletar evidências, fazer exames laboratoriais, estuda armas usadas e mais.

O edital ainda pode trazer inúmeros outros cargos, como odontolegista, técnico assistente, agente de telecomunicações, inspetor, auxiliar de necropsia, técnico em segurança do trabalho, fotógrafo pericial, técnico assistente etc.

É importante saber que existem cargos para áreas gerais e específicas. Como os peritos criminais de biologia, engenharia, tecnologia da informação, psiquiatria, patologia, química, entre outras.

Isso é importante porque o profissional deve ter a capacidade de produzir provas de acordo com seus conhecimentos técnicos específicos.

Por exemplo, um perito psiquiátrico não consegue identificar qual agente químico foi usado em uma causa, mas um perito químico pode fazê-lo. Isso contribui para expandir ainda mais o amplo rol de cargos oferecidos pelo concurso.

Também é possível que algumas das vagas já sejam para níveis avançados, com salários maiores e melhores benefícios. Por exemplo, um concurso pode ter uma vaga para analista da polícia civil do nível III.

Vagas para PCD

A legislação brasileira prevê que um certo percentual das vagas dos concursos deve ser destinado a pessoas com deficiência (PCD). Segundo o art. 1º, §1º do Decreto n.º 9.508/18, um mínimo de 5% das vagas devem ser reservadas às pessoas com deficiência.

Porém, é possível que o Estado reserve um percentual maior para os concursos de Polícia Civil. Segundo o art. 3º do Decreto n.º 3.298/99, são incluídas as pessoas portadoras de deficiência física, auditiva, visual, mental ou múltipla (que engloba duas ou mais deficiências).

Quem pode participar desses concursos da Polícia Civil?

Cargos de voltados para a segurança pública, como concurso de Polícia Federal, Civil e Militar têm certas peculiaridades. Essas exigências podem acabar tornando o candidato inapto para o cargo, por essa razão é fundamental conhecê-las:

  • ser brasileiro nato, naturalizado ou, no caso de Portugueses, estar amparado pelo Estatuto da Igualdade entre Brasileiros e Portugueses (Decreto n.º 70.391/72);
  • ter o mínimo de 18 anos na data da posse do cargo. Alguns editais estabelecem idade mínima de 21 anos e idade máxima;
  • ter o CPF regular, o que significa que não deve ter nenhuma pendência de regularização ou suspenso;
  • comprovante de quitação com deveres militares, no caso de candidatos masculinos;
  • carteira nacional de habilitação (CNH) de categoria B, no mínimo;
  • declaração de não estar cumprindo sanção por inidoneidade;
  • ter uma conduta irrepreensível na vida privada ou pública;
  • ter os direitos civis e políticos em pleno exercício;
  • estar com as obrigações eleitorais em dia;
  • não ter antecedentes criminais.

Quais são os pré-requisitos para os cargos mais populares?

Os cargos mais buscados — e que geralmente têm uma quantidade maior de vagas — são:

  • agente policial;
  • escrivão;
  • investigador;
  • perito criminal;
  • delegado.

Além de concluir os requisitos mínimos citados anteriormente, alguns concursos exigem certos níveis de conhecimento, que podem variar conforme o edital de cada Estado e do cargo.

Há vagas que exigem apenas a conclusão do ensino fundamental (1º grau), outros requerem ensino médio completo (2º grau) e é possível que o mínimo exigido seja um curso superior completo.

Por exemplo, em São Paulo o requisito para se tornar um carcereiro é ter apenas o 1º grau concluído. Porém, é preciso ter o ensino médio para ser um agente policial.

Para alguns cargos, como escrivão ou investigador, é necessário ter qualquer diploma de curso superior. Mas ainda há exigência de cursos específicos para certas vagas. Por exemplo, para se tornar Delegado de Polícia é necessário que o candidato seja bacharel em direito (não precisa atuar como advogado ou ter carteira da OAB).

Independentemente do cargo que você pretende prestar concurso, é fundamental que você se prepare com o melhor time de professores possível. Nesse caso, é essencial investir em um curso online que traga como você deve organizar seus estudos, grade de aula, edital verticalizado, plano de estudo, conteúdos para conhecimentos básicos, específicos e exercícios.

São várias oportunidades que o concurso da Polícia Civil traz, além de iniciar a carreira na área é muito vantajoso. No entanto, isso também atrai atenção de muitas atenções, o que torna crucial a realização de um curso com professores experientes, materiais de qualidade e destinados para o cargo específico.

Quer entender ainda mais sobre o assunto? Leia meu material Polícia Civil: saiba qual é o salário de um investigador em cada Estado!

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