Raciocínio Lógico para Concursos: 6 exercícios resolvidos e comentados

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Raciocínio lógico vem sendo exigido em cada vez mais concursos públicos. O professor Daniel Lustosa traz dicas sobre como estudar a disciplina, e também questões comentadas para sua melhor orientação

Quando pensamos em lógica e raciocínio, fica difícil não associar imediatamente ao famoso personagem criado pelo escritor escocês Sir Arthur Conan Doyle. Sherlock Holmes, com o jargão direcionado ao seu fiel ajudante Watson (“Elementar, meu caro Watson”), tornou-se praticamente um sinônimo de poder de raciocínio. Sherlock é racional, lógico e analítico: um mestre na arte da dedução, um dos métodos criados a partir do raciocínio lógico.

Sinteticamente, o raciocínio lógico é a capacidade de resolução de problemas a partir de informações obtidas em determinado contexto. Ou seja, requer consciência e capacidade de organização do pensamento. Em geral, essa capacidade se destaca entre três habilidades específicas:

  1. interpretar problemas;
  2. escrever com propriedade;
  3. identificar resoluções;

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Existem diferentes tipos de raciocínio lógico, como o dedutivo, indutivo e abdução, raciocínio lógico matemático ou quantitativo para a resolução de alguns problemas e exercícios de matemática. Mas também é possível aplicar na área da dialética, onde é usado para fazer inferências (afirmação ou proposição inicial-afirmação intermediária-conclusão). Por isso, o raciocínio lógico é considerado uma poderosa ferramenta analítica para justificar, analisar, argumentar ou confirmar alguns raciocínios, desde que fundamentados em dados que possam ser comprovados.

Fato é que embora não seja possível ensinar o raciocínio lógico, efetivamente, é possível treiná-lo, desenvolvê-lo e aprimorá-lo. Especialmente por ser uma característica cada vez mais requisitada no mercado de trabalho, tanto na esfera privada quanto na pública.

O raciocínio lógico vem se tornando um tipo de avaliação cada vez mais comum em concursos públicos para as mais diversas áreas. Dessa forma, o Blog do AlfaCon traz neste texto, com a ajuda do professor Daniel Lustosa, informações essenciais sobre o raciocínio lógico:

  • conceito e propriedades;
  • como é aplicados em processos seletivos;
  • seleção de questões de raciocínio lógico resolvidas e comentadas;

“Mais do que um teste comum em processos seletivos, o raciocínio lógico é uma ferramenta requisitada a profissionais de absolutamente todas as áreas. Quanto mais complexa for a atividade em questão, mais se esperarão essas capacidades do indivíduo”, explicou Lustosa, ressaltando que nas prova de raciocínio lógico em concursos públicos é preciso redobrar a atenção, pois essas questões são uma das maiores causadoras de queda nas notas.

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O que é o raciocínio lógico para concursos públicos?

Resumindo, o raciocínio lógico, na sua essência primária, é a “arte” de pensar. É uma organização do pensamento, ou o pensamento organizado, que permite chegar a uma conclusão. Posteriormente, o raciocínio lógico continua além da “arte” de pensar com a ideia agregada de seguir regras, preestabelecidas e definidas, inclusive com o apoio da Matemática.

“O raciocínio lógico aparece em concurso exatamente para que o concurseiro tenha essa melhoria do pensamento, organização, conexão das ideias e matérias. O objetivo de se avaliar o raciocínio lógico nos concursos é para que tenhamos servidores pensantes, não apenas executantes”, explicou o professor Daniel Lustosa.

Por isso, a disciplina pode ser cobrada em todas as áreas de concursos. O que varia são as ênfases: maiores nas áreas policiais e fiscais. Contudo, as áreas administrativas, tribunais, prefeituras e todas as outras também costumam cobrar conhecimento na disciplina, variando de concurso para concurso.

“A disciplina raciocínio lógico aparece em concurso cobrando mais os assuntos psicotécnicos, ou seja, voltados ao pensamento, proposições, que são as questões voltadas a ‘seguir regras’, análise combinatória, probabilidade e teoria de conjuntos, que podem ser voltados tanto ao pensamento como às regras. Todos esses assuntos englobam o pensamento/interpretação e as regras”, pontuou o professor, frisando que os assuntos básicos do raciocínio logico são o psicotécnico e as proposições.

O que e como estudar raciocínio lógico para concursos?

Ao estudar raciocínio lógico para concursos públicos, é importante se preparar antes mesmo de sair o edital, como em qualquer disciplina de conhecimento básico. A dica é começar a estudar assuntos como lógica proposicional, análise combinatória, conjuntos e probabilidades. Daniel Lustosa explica que esses dois assuntos, o psicotécnico e as proposições, são “o início de tudo” no estudo para a disciplina raciocínio lógico para concursos públicos. Seguido de análise combinatória, probabilidade e teoria de conjuntos.

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Infelizmente, não há muito material de qualidade disponível para estudar a parte teórica da matéria, embora a incidência dessa disciplina seja cada vez maior nos concursos. Dessa forma, é preciso estar ciente que os temas de raciocínio lógico exigem atenção, e que leva tempo e muita dedicação para que se aprenda todo o conteúdo necessário para obter um bom resultado em uma prova desse tipo. Cinco passos importantes para isso são:

  1. Tentar reconhecer padrões;
  2. Criar o hábito de analisar;
  3. Escolher um método de estudo adequado ao seu perfil de aprendizagem;
  4. Ficar sempre atento ao que é mais importante nos enunciados;
  5. Absorver o máximo de conteúdo que puder;

“Uma forma de estudar a disciplina é conciliando teoria com questões na proporção 20-80 [20% de estudo de teoria e 80% de resolução de questões], pois não há tanto conteúdo assim no raciocínio lógico, e as questões vão ajudar a fixar melhor a matéria. Um ‘macete’ para entender melhor as questões é estar com a interpretação, que nada mais é do que a organização do pensamento, em dia, e seguir as regras dos assuntos. Por mais que as regras não façam sentido, elas estão ali para serem seguidas. Afinal, o candidato só quer acertar a questão e passar na prova”, orientou o professor Daniel Lustosa, que selecionou seis questões da disciplina, resolvidas e comentadas, para te ajudar a estudar.

Confira 6 questões comentadas selecionadas por Daniel Lustosa

(CESPE – 2021)
Considere que Marisa, Daniel e Jair trabalhem em uma secretaria de fazenda pública, nos setores responsáveis pela arrecadação do IPTU, IPVA e ISS, que suas idades sejam 34, 42 e 45 anos. Considere, ainda, que não se sabe o setor em que cada um deles trabalha nem a idade de cada um. Com base nessas informações, julgue o item subsequente.

  1. Suponha que, na secretaria de fazenda, a soma do tempo de serviço dos 3 servidores seja igual a 45 anos e a diferença do tempo de serviço entre quaisquer dois deles seja sempre igual a 5 ou 10 anos. Nessa situação, se Marisa começou a trabalhar após Jair e se Daniel começou a trabalhar antes de Jair, então o tempo de serviço de Daniel é de 15 anos.

Gabarito: ERRADO

Comentário: organizando as informações (a diferença do tempo de serviço entre quaisquer dois deles é sempre igual a 5 ou 10 anos, então do mais antigo para o mais novo a diferença é de 10 anos e dos dois para o ‘do meio’ é 5 anos) fica:

FIG1-raciocinio-logico

Concluímos que o que está no serviço a 15 anos é Jair.

2. Considere as seguintes afirmações:
I. Jair trabalha no setor responsável pelo IPTU.
II. O que trabalha no setor responsável pelo IPVA tem 34 anos de idade.
III. Marisa tem 45 anos de idade ou trabalha no setor responsável pelo IPVA.
É correto afirmar que, se as afirmações I e II são verdadeiras e III é falsa, então a idade de Jair é 45 anos.

Gabarito: CERTO

Comentário: organizando as informações:
Com I e II verdadeiros:
FIG2-raciocinio-logicoCom III falso (Marisa NÃO tem 45 anos de idade e Marisa NÃO trabalha no setor responsável pelo IPVA):
FIG3-raciocinio-logicoPortanto Jair tem 45 anos.

 

(CESPE – 2021)
Texto 1A6-I
Cinco pessoas (Arnaldo, Bernardo, Cláudio, Diógenes e Ernesto), suspeitas de determinada contravenção, são chamadas para acareação por uma autoridade policial. Exatamente dois deles são culpados, e as seguintes declarações foram feitas durante o depoimento:

I. Arnaldo disse que os culpados não foram Ernesto nem Bernardo;
II. Bernardo disse que os culpados não foram Arnaldo nem Cláudio;
III. Cláudio disse que os culpados não foram Bernardo nem Diógenes.

3. No texto 1A6-I, se 3 pessoas forem aleatoriamente escolhidas entre os 5 suspeitos, então a probabilidade de os dois culpados serem escolhidos será igual a
a) 1/10.
b) 3/10.
c) 2/15.
d) 13/20.
e) 11/15.

Gabarito: B

Comentário: para calcular a probabilidade basta dividir o que queremos por TUDO que temos. Nisso TUDO que temos é C5,3 = 10 e o que queremos é igual a 3 (culpado, culpado, um dos outros 3).
Calculando a probabilidade: P = 3/10.

(CESPE – 2021)
Texto 1A6-II
Em um distrito policial, estão lotados 30 agentes para policiamento ostensivo. Acerca do tempo de serviço desses agentes como policiais, sabe-se que

I. 6 deles têm mais de 5 anos de serviço;
II. 12 deles têm entre 2 e 10 anos de serviço;
III. 16 deles têm menos de 2 anos de serviço.

4. Considerando-se o texto 1A6-II, é correto afirmar que a quantidade de agentes com mais de 10 anos na função de policial é igual a
a) 2.
b) 4.
c) 6.
d) 8.
e) 10.

Gabarito: A

Comentário: se 16 policiais têm menos de 2 anos e 12 tem entre 2 e 10 anos, então já temos 28 policiais (16+12) com até 10 anos de serviço.
Como são 30 policiais, então 2 policiais têm mais de 10 anos na função.

(FGV – 2021)
5. Sabe-se que a sentença “Se a camisa é branca, então a calça é branca” é FALSA e a sentença “Se o sapato é preto, então a camisa não é branca” é VERDADEIRA.

É correto concluir que:
a) a camisa é branca, a calça não é branca e o sapato não é preto;
b) a camisa é branca, a calça não é branca e o sapato é preto;
c) a camisa não é branca, a calça é branca e o sapato não é preto;
d) a camisa não é branca, a calça é branca e o sapato é preto;
e) a camisa não é branca, a calça não é branca e o sapato é preto.

Gabarito: A

Comentário: como a sentença “se a camisa é branca, então a calca é branca” é falsa, temos que a ‘camisa é branca’ é verdadeiro e a ‘calca é branca’ é falsa. Agora, como a sentença “se o sapato é preto, então a camisa não é branca” é verdadeira, temos que o ‘sapato é preto’ é falso (com consequente falso o antecedente tem que ser falso para que o condicional seja verdadeiro). Portanto a camisa é branca, a calca não é branca e o sapato não é preto. Logo, a alternativa correta é a letra A.

(FGV – 2021)
6. Mário, que mora sozinho, falava ao telefone com sua mãe a respeito do dia anterior:
Lavei a louça e não dormi tarde.

A negação lógica dessa sentença é:
a) Não lavei a louça e não dormi tarde;
b) Lavei a louça e dormi tarde;
c) Não lavei a louça e dormi tarde;
d) Não lavei a louça ou não dormi tarde;
e) Não lavei a louça ou dormi tarde.

Gabarito: E

Comentário: a negação de “lavei a louca E não dormi tarde” é “não lavei a louca OU dormi tarde” (para negar o E usa o OU, e nega todas as proposições que estão envolvidas).

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